Doing Business in Brazil

2. Comércio Internacional

13/03/19

2.a. Introdução

Apesar de estar entre as 10 maiores economias do mundo, a participação do Brasil no orçamento total do comércio mundial fica geralmente confinado a 1% – em 2017, a partcipação do Brasil no total mundial de importações foi de 0,87% e 1,23 do total de exportações. Nos últimos anos, deu-se lugar à uma política mais flexível de comércio internacional, que está lentamente mudando a situação. Ademais, é importante considerar que o país está no momento lidando com uma crise econômica, que pode ser notada nos gráficos por um decréscimo nas exportações e importações durante os anos de 2014 a 2016, com melhora pequena em 2017 e um pouco mais expressiva em 2018.

As exportações Brasileiras contribuem pouco menos do que 15% para o PIB do país. Há muitas razões para tal, algumas delas são: complicado sistema de impostos; pobre infraestrutura de logística; alto controle das alfândegas; grande mercado interno; e cultura. Além disso, há também a baixa internacionalização, que é um relevante contribuidor para este cenário, o Brasil possui mais de 4 milhões de empresas registradas e, entre elas, em torno de 24.000 exportam e 43.800 importam.

2.b. Estatísticas de Importação

Importações Brasileiras por ano (em milhões de Dólares)

Fonte: SECEX/MIDIC

2.c. Estatísticas de Exportação

Exportações Brasileiras por ano (em milhões de Dólares)

Fonte: SECEX/MIDIC

2.2. Burocracia

2.2.a. Introdução

As operações de comércio exterior no Brasil são muito burocráticas. Há muita papelada, diversos controles e regras específicas a serem seguidas. O não cumprimento de tais regras pode causar problemas (ex. multas e longos períodos de retenção na alfândega) para o importador ou exportador. Há empresas especializadas em consultoria de comércio exterior que podem assistir esses clientes a prosseguirem da forma correta, reduzindo impostos e tempo de cada operação.

Em termos de alfândega e formalidades, os procedimentos de exportação são, em geral, menos burocráticos do que os de importação. Todos os procedimentos são registrados e controlados pelo SISCOMEX – Sistema Integrado de Comércio Exterior. As autoridades brasileiras podem monitorar e controlar atividades de comércio internacional através da verificação dos registros do SISCOMEX. Há muitos atores envolvidos nos procedimentos de comércio internacional como o importador/exportador ou a empresa trading, despachantes aduaneiro, agentes de carga, fiscais, agências reguladoras e Banco Central.

2.2.b. Os Players do Comércio Exterior

2.2.b.i. O Importador/Exportador

Para operações de comércio exterior, as empresa brasileiras precisam antes requerer uma autorização na Receita Federal. Quando a empresa consegue a autorização, ela passa a ter o chamado “Radar”, que, por sua vez, possui duas categorias principais:

– Simples: a empresa possui uma limitação para importar $150.000,00 CIF e exportar $150.000,00 FOB a cada seis meses consecutivos. A quantia correspondente ao primeiro mês é descartada quando o sétimo mês começa; apenas os últimos 06 meses são considerados. Caso a empresa exceda este limite, as operações de comércio exterior ficam suspensas até que ela obtenha a permissão de radar regular. Esta categoria é recomendada à empresas que sabem de antemão que não irão operar acima desses valores em comércio internacional, ou empresas que não vão importar e exportar com frequência.

– Regular: a empresa pode operar acima do limite de $150.000,00, mas limitada à sua capacidade econômica. Tal limite é estabelecido pela Receita Federal e é baseada em uma aplicação formal, na qual a empresa afirma os volumes que ela espera exportar/importar de acordo com sua capacidade econômica. O capital registrado da empresa neste caso é um fator chave. Esta é a forma mais abrangente de registro. O novo limite também gira em torno de um período de seis meses.

2.2.b.ii A empresa Trading

O principal papel de uma empresa trading no Brasil é tipicamente operações de importação e exportação. À parte das razões usuais pelas quais uma empresa exporta através de uma trading, as regras brasileiras criaram espaço por razões bem específicas. No lado da exportação, por exemplo, se uma empresa não possui o “Radar” (explicado acima), essa empresa pode procurar por uma trading para exportar suas mercadorias. Esta empresa terá os mesmos benefícios fiscais de exportação, como se estivesse exportando diretamente. No entanto, no que concerne às importações, este procedimento não é possível, então toda empresa que deseje importar mercadorias, através de uma trading ou diretamente, deve ter o “Radar”. A exceção ocorre quando a trading compra os produtos no mercado internacional, mantêm em estoque, adiciona uma margem de preço e revende para o mercado doméstico. Este procedimento é chamado “importar para revender”. As empresas trading podem servir como terceiros atuando em nome do importador final ou importando por demanda. Em ambos os casos, o importador final deve possuir o “Radar” e irá aparecer em todos os documentos. A empresa trading neste caso aparecerá como consignatário.

Uma razão muito comum para usar uma empresa trading em nome do importador final é para tirar vantagens dos benefícios fiscais que alguns Estados oferecem à essas empresas. Usar uma empresa trading é altamente recomendável quando uma empresa estrangeira deseja entrar no mercado Brasileiro e seus clientes são empresas de pequeno e médio porte. Ademais, geralmente essas empresas não possuem experiência em lidar com operações de comércio exteior e autoridades alfandegárias.

2.2.B.iii. O Despachante Aduaneiro

O despachante aduaneiro é responsável por colocar as informações no SISCOMEX em benefício do importador/exportador. O despachante também estará em contato com a as autoridades legais do Brazil para analisar as informações contidas nos documentos de importação/exportação, as mercadorias envolvidas na transação e a legislação atual. Um dos passos do desembaraço aduaneiro é a “parametrização”, que é um procedimento padrão e há diversos canais de verificação:
verde, amarelo e vermelho.

De maneira mais detalhada, uma importação selecionada para o canal verde é liberada automaticamente, sem qualquer verificação física pelas autoridades legais. O canal amarelo significa que a papelada será checada e o canal vermelho envolve a verificação da papelada e também física das mercadorias. Caso a autoridade encontre qualquer indicação de fraude, o importador/exportador é cobrado. O canal é definido de forma aleatória, mas é importante destacar que alguns fatores podem influenciar que a mercadoria seja destinada para o canal verde ou amarelo: cargas não usuais, importadores de primeira viagem, carga suspeita, origem ou destino, denúncias etc.

Ademais, há também um quarto canal, que é sistematicamente aplicado com os mesmos efeitos do canal vermelho: o canal cinza. A diferença entre os dois é que, no caso do canal cinza, o procedimento é adotado em todas as importações de uma certa empresa, até que seja provado que ela pode cumprir todas as regras da alfândega. Os canais vermelho e amarelo são apenas checagens aleatórias, enquanto que o canal cinza é consequência de uma suspeita de fraude.

2.2.b.iv. O Agente de Carga

A responsabilidade do agente de carga consiste em coordenar o frete das mercadorias da sua origem até seu destino final, o cliente recebe um pacote de serviços de acordo com os quais o agente de carga possui total responsabilidade pelo transporte da mercadoria. Os principais meios de transporte no Brasil são via oceano, ar e terra. O transporte ferroviário no país ainda é incipiente, mas com expectativas de melhoria para os próximos anos.

2.2.b.v. As Autoridades Alfandegárias

O sistema de tributação brasileiro é complexo e há inúmeros impostos que recaem sobre as operações de importação. Por outro lado, o governo nacional dá suporte às operações de exportação, incluindo através da aplicação de menos impostos. Em termos de tributação, exportação é muito mais barato quando comparado com importação.

No Brasil há inúmeros impostos federais (como II, IPI, PIS, Cofins) e impostos estaduais (ICMS), este último varia de um Estado para o outro. Ademais, há outras taxas mandatórias que se aplicam às importações, como a AFRMM, um fundo para subsidiar a marinha mercante – 25% de taxa aplicada ao frete marítimo, taxa da guia do Sindicato do Despachante Aduaneiro, etc.

2.2.b.iv. Órgãos Regulatórios e Outras Entidades Governamentais

Dependendo do tipo de mercadoria importada/exportada, ela estará sujeita à aprovação dos órgãos reguladores e outros certificados de conformidade. Os órgãos regulatórios mais importantes são:

– Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): responsável pelo controle sanitário de bens e serviços. Todos os medicamentos, equipamentos médicos, cosméticos, alimentos, produtos de tabaco e outros estão sujeitos à aprovação da ANVISA antes do embarque. A ANVISA controla e estabelece regras sobre quaisquer produtos e serviços relacionados à saúde.

– Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA): é a entidade responsável pela inspeção e controle do trânsito internacional de bens agrícolas e evita a entrada de pestes e doenças no país. Para serem comercializados, alimentos, pecuária e produtos agrícolas devem possuir a aprovação do MAPA. Todas as paletas de madeira e caixas, que entram e saem do Brasil, devem possuir o certificado de fumigação que está sujeito à aprovação do MAPA.

– Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL): a agência autônoma regulatória para telecomunicações foi criada após a decisão do governo de privatizar o setor. A missão da Anatel é fornecer suporte para o desenvolvimento do setor. Além disso, algumas de suas outras funções são: defesa dos direitos do consumidor, implementação de uma política nacional para telecomunicações, garantir a competição no setor e outras.

– Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL): ANEEL é a agência regulatória para serviços de energia elétrica. A entidade responsável por preservar investimentos feitos por empresas lucrativas, evitar custos abusivos, impor penalidade e outros.

– Há também outros órgãos e entidades, dependendo dos produtos a serem comercializados como INMETRO (diversos setores requerem o certificado do INMETRO para serem comercializados no Brasil), ANP (óleo e gás) e outros.

2.3 Logística

2.3.a. Introdução

O Brasil é um país muito grande e com uma infraestrutura incapaz de cobrir de forma eficiente todas as suas regiões. Lidar com logística no Brasil é um desafio devido às longas distâncias e à falta de boa infraestrutura, consequentemente, a coordenação logística possui papel estratégico nos negócios, o que se reflete muito no preço.

2.3.b. Transporte Aéreo

2.3.b.i. Características

O Brasil possui um bom nível de segurança no setor aéreo, o país encontra-se na quinta posição do ranking dos mais seguros para voar, apenas atrás da Coréia do Sul, EUA, Canadá e Alemanha. A entidade responsável por controlar a maioria dos aeroportos no Brasil é a Infraero, os principais aeroportos estão localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em 2017, o número de passageiros transportado girou em torno de 90,6 milhões. Os passageiros internacionais devem passar pela alfândega no primeiro aeroporto de pouso, o que faz com que o aeroporto de São Paulo possua longas filas para passar pela imigração.

No que diz respeito a importar e exportar carga, o desembaraço pode ser feito em diversos aeroporto pelo país, é também importante destacar que cargueiros internacionais não podem fazer voos domésticos. Conexões domésticas devem ser feitas por companhias aéreas brasileiras como: TAM, GOL, AZUL e outras.

2.3.b.ii. Os Principais Aeroportos Brasileiros

  • Aeroporto de Londrina – PR
    • Aeroporto Internacional Afonso Pena – Curitiba – PR
    • Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu – PR
    • Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer – Bagé – RS
    • Aeroporto Internacional de Pelotas – RS
    • Aeroporto Internacional Salgado Filho – Porto Alegre – RS
    • Aeroporto Internacional Rubem Berta – Uruguaiana – RS
    • Aeroporto Internacional de Florianópolis – SC
    • Aeroporto de Joinville – SC
    • Aeroporto Internacional de Navegantes – SC
    • Aeroporto de Vitória – ES
    • Aeroporto de Uberaba – MG
    • Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Belo Horizonte – MG
    • Aeroporto de Belo Horizonte/Pampulha-MG
    • Aeroporto de Montes Claros – MG
    • Aeroporto de Uberlândia – MG
    • Aeroporto de Macaé – RJ
    • Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – RJ
    • Aeroporto Santos-Dumont – Rio de Janeiro – RJ
    • Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas – SP
    • Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – SP
    • Aeroporto de São Paulo/Congonhas – São Paulo – SP
    • Aeroporto Internacional de Brasília
    • Aeroporto de Goiânia – GO
    • Aeroporto Internacional Marechal Rondon – Varzea Grande – MT
    • Aeroporto Internacional de Campo Grande – MS
    • Aeroporto Internacional de Corumbá – MS
    • Aeroporto Internacional de Ponta-Porã – MS
    • Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul – AC
    • Aeroporto Internacional de Rio Branco – AC
    • Aeroporto Internacional de Macapá – AP
    • Aeroporto Internacional de Manaus – AM
    • Aeroporto Internacional de Tabatinga – AM
    • Aeroporto de Altamira – PA
    • Aeroporto Internacional de Belém – PA
    • Aeroporto Internacional Porto Velho – RO
    • Aeroporto Internacional de Boa Vista – RR
    • Aeroporto de Palmas – TO
    • Aeroporto Internacional de Maceió – AL
    • Aeroporto de Paulo Afonso – BA
    • Aeroporto Internacional de Salvador – BA
    • Aeroporto de Ilhéus – BA
    • Aeroporto Internacional de Fortaleza – CE
    • Aeroporto de Juazeiro do Norte – CE
    • Aeroporto Internacional de São Luís – MA
    • Aeroporto Presidente Campina Grande – PB
    • Aeroporto Internacional de João Pessoa – PB
    • Aeroporto Internacional do Recife – PE
    • Aeroporto Internacional de Parnaíba – PI
    • Aeroporto de Teresina – PI
    • Aeroporto Internacional – Parnamirim – RN
    • Aeroporto Internacional de Natal – RN
    • Aeroporto de Aracaju – SE

2.3.c. Transporte Aquaviário

2.3.c.i. Características

O Brasil possui uma quantidade considerável de portos marítimos, apesar de que poderia ser uma boa opção, a navegação de cabotagem (entre diferentes territórios brasileiros) não é comum. Adicionalmente, o transporte de carga em rios e lagos não são usados no Brasil, exceto por algumas excessões. A maioria das companhias marítimas servem o litoral brasileiro regularmente. O tempo de trânsito para a maioria dos portos da Europa leva cerca de 14 a 21 dias.

2.3.c.ii. Principais Portos Brasileiros

  • Porto de Angra dos Reis – RJ
    • Porto de Antonina – PR
    • Porto de Aratu – BA
    • Porto de Areia Branca – RN
    • Porto de Belém – PA
    • Porto de Cabedelo – PB
    • Porto de Estrela – RS
    • Porto de Forno – RJ
    • Porto de Fortaleza – CE
    • Porto de Ilhéus – BA
    • Porto de Imbituba – SC
    • Porto de Itaguaí – RJ
    • Porto de Itajaí – SC
    • Porto de Itaqui – MA
    • Porto de Maceió – AL
    • Porto de Manaus – AM
    • Porto de Natal – RN
    • Porto de Niterói – RJ
    • Porto de Paranaguá – PR
    • Porto de Pelotas – RS
    • Porto de Porto Alegre – RS
    • Porto de Porto Velho – RO
    • Porto de Recife – PE
    • Porto do Rio de Janeiro – RJ
    • Porto do Rio Grande – RS
    • Porto de Salvador – BA
    • Porto de Santana – AP
    • Porto de Santarém – PA
    • Porto de Santos – SP
    • Porto de São Francisco do Sul – SC
    • Porto de São Sebastião – SP
    • Porto de Suape – PE
    • Porto de Vila do Conde – PA
    • Porto de Vitória – ES

Fonte: Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

2.3.d. Transporte Rodoviário

2.3.d.i. Características

O Brasil possui mais de 107mil km de rodovias, das quais cerca de 19.500km estão sob gestão privada (possuem pedágios) e cerca de 87.500 km sob gestão publica, gratuita. É também importante destacar que 43% está em bom ou excelente estado, enquanto que 57% apresentam problemas. As estradas nas regiões Sul e Sudeste são geralmente melhores quando comparadas com o restante do país. Finalmente, este é o principal meio de transporte no Brasil.

2.3.e. Transporte Ferroviário

2.3.e.i. Características

O sistema ferroviário do Brasil é antigo e ultrapassado, o foco foi mais no transporte rodoviário devido às politicas econômicas seguidas pelos governos anteriores. Há a necessidade reconhecida e urgente de investimentos no sistem ferroviário. Desde 1950, quando o transporte por rodovias tornou-se prioritário, a quantidade investida em ferrovias tornou-se escasso, especialmente quando comparado com as quantidades realmente necessárias. No entanto, o setor privado está caminhando alguns passos para mudar este cenário e há previsões de investimentos para os próximos anos. É importante mencionar que os sistemas de ferrovias são para transporte de carga, e não de pessoas.

2.4. Estrutura de Custos de Importações

2.4.a. O Sistema de Impostos

Como foi mencionado acima, o sistema de tributação brasileiro é complexo e requer muita atenção, o lado positivo é que dentro de tal complexidade, há maneiras legais de se reduzir a tributação. Eis uma breve explicação dos impostos já existentes:

2.4.a.i. Imposto de Importação (II)

O Imposto de Importação (II) é um imposto federal e possui propósitos

protecionistas, a taxa varia de acordo com os bens envolvidos, país de origem e classificação. Fórmula utilizada para cálculo do II:

2.4.a.ii. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)

O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), assim como o II, é um imposto federal, mas varia de acordo com a

IPI= taxa de IPI (%) X (VA + II)VA = valor mercadoria + frete internacional + seguro

classificação do produto (customs tariff). A fórmula usada para cálculo do IPI é:

Dependendo da situação fiscal da empresa importadora, este imposto pode ser creditado da seguinte maneira: a quantia paga em uma compra ou importação pode ser creditada contra a quantia a pagar quando a empresa efetua uma venda.

2.4.a.iii PIS e COFINS – Encargos Sociais

O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamente da Seguridade Social (COFINS) são contribuições sociais usadas para financiar a seguridade social. As taxas aplicadas são: PIS = 1,65% e COFINS = 7,6%. As fórmulas para calcular PIS e COFINS são:

PIS

PIS = Taxa do PIS (%) X (VA + ICMS + PIS + COFINS)

COFINS

COFINS = Taxa COFINS (%) X (VA + ICMS + PIS + COFINS)

Lembrando que:

Dependendo da situação tributária da empresa importadora, este imposto pode ser creditado, o que significa que a quantia paga em uma compra ou importação pode ser creditada contra a quantia devida quando a empresa efetua uma venda.

2.4.a.iv. ICMS – Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

ICMS = Taxa de ICMS (%) X (VA + II + IPI + ICMS + PIS + COFINS)

O ICMS é um imposto estadual. Devido ao fato de o Brasil ser uma República Federativa, há leis diferentes para este tipo de imposto. Cada Estado possui seu próprio sistema de ICMS, o imposto é calculado através da fórmula:

Dependendo da situação tributária da empresa importadora, este imposto pode ser creditado, o que significa que a quantia paga por uma compra ou importação pode ser creditada contra a quantia a ser paga quando a empresa efetua uma venda.

2.5 Incentivos ao Comércio Internacional

2.5.a. Incentivos à Exportação

As exportações no Brasil são livres de ICMS e IPI. Ademais, dependendo da situação tributária da empresa, as exportações também são isentas de PIS e COFINS. Exportações feitas através de uma empresa trading são elegíveis para os mesmos benefícios. Além disso, vendas domésticas para Zonas de Livre Comércio, e.g. Manaus, também são livres de impostos.

2.5.b Incentivos à Importação

Há alguns Estados que dão incentivos para atividades de importação, como Espírito Santo e Santa Catarina, estes possuem políticas específicas de comércio exterior e garantem níveis especiais de imposto no ICMS (Imposto Estadual). Quando uma empresa está considerando sua entrada no mercado brasileiro, é importante levar em consideração estes incentivos, que podem diminuir consideravelmente os engargos das mercadorias.

2.6. Corrupção

2.6.a. Introdução

A corrupção é um problema antigo para a socidade brasileira, em 2018 o país caiu para a posição 105 do ranking do Índice de Percepção de Corrupção, os escândalos de corrupção estão minando a estabilidade política e econômica do país.

No entanto, a corrupção costumava ser muito pior nas décadas passadas e as coisas estão mudando lentamente. Diversos casos recentes envolvendo políticos e empresários estão sendo severamente punidos. Mesmo quando não suficientemente punidos (de acordo com a percepção da maioria dos brasileiros), a exposição negativa dos fatos é algumas vezes suficientemente relevante como exemplo, para que o sentimento de impunidade torne-se mais enfraquecido e as pessoas comecem a reconsiderar antes de tomarem atitudes corruptas. No que concerne às operações de comércio exterior, o uso de sistemas on-line como SISCOMEX e RADAR fazem com que atitudes dos corruptos fiquem mais difíceis.

2.6.b. Recomendações para Lidar com a Corrupção

No Brasil, a corrupção em processos de importação e exportação geralmente ocorrem quando há algo errado com o seu procedimento. O usual é que nenhuma autoridade tributária lhe peça um suborno se toda a documentação estiver correta, sua carga legalizada, se você entregou toda a informação relevante no tempo e forma corretos. É claro que isto não significa que se há alguma informação faltando você será confrontado com corrupção, a maioria dos fiscais no Brasil são pessoas corretas.

O cuidado ao preparar a papelada e o respeito à burocracia são cruciais para evitar corrupção. No entanto, se você tomou todas as precauções e encontrou um mau fiscal em seu caminho, o melhor a fazer é manter a calma e buscar uma solução legal. Uma vez que se aceita pagar um suborno, você terá sempre que fazê-lo, é melhor nem mesmo começar.

2.7. Erros Comuns Presentes na Visão Estrangeira acerca do Brasil

2.7.a. O Brasil é um País Barato

Depois de passar suas férias em uma praia brasileira e pagar menos do que $10 em uma porção de camarões, ou $1 por um coco, você pode criar a falsa impressão que o Brasil é um país barato. Apesar de os salários serem mais baixos quando comparados com a Europa e América do Norte, os encargos sociais podem ser maiores do que 100%.

Matéria prima, componentes, maquinário, tudo requerido para a fabricação de algo no Brasil, deve ter um preço razoável se feito no país. Ademais, se precisam ser importados, o preço será consideravelmente mais alto. O mesmo ocorre com produtos que, apesar de serem manufaturados internamente, a produção doméstica não consegue suprir a demanda. Por exemplo, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de aço do mundo, os preços do aço no país são mais altos quando comparados com o resto do mundo.

2.7.b. Fácil Locomoção

A ideia de que é fácil de se locomover pelo país está errada, na verdade, é bem complicada a locomoção pelo Brasil, especialmente para um estrangeiro. As estradas podem muitas vezes ser ruins (especialmente no Norte de São Paulo e Rio de Janeiro), e a sinalização não precisa. A cobertura do GPS é boa em grandes cidades, mas o problema é que muitas vezes o GPS pode te guiar em direção à uma favela, o que pode ser bem perigoso.

Além disso, o sistema ferroviário é praticamente inexistente para o transporte de passageiros e, quando há, os trens são mais antigos. O sistema de transporte aéreo no Brasil é bom em termos de segurança, mas o número de passageiros cresceu muito rápido. Atrasos podem ocorrer, mas alguns aeroportos estão melhorando, por exemplo, o aeroporto de Guarulhos (em São Paulo) e o de Viracopos (Campinas SP) abriram novos terminais e modernizaram suas instalações.

2.7.c. O Brasil é Meramente um Exportador de Commodities

Apesar do fato de que o Brasil realmente exporta commodities, ser o primeiro do mundo para carne, soja, café e cana para etanol, o país também exporta: aviões – a empresa Embraer é lider mundial na produção de jatos de 70-100 lugares; carros; maquinário; celulares; e eletrônicos em geral.

2.7.d. Preço dos Produtos

O sistema de tributação brasileiro é tão complexo que fica quase impossível para um estrangeiro compreender a estrutura de precificação. Pode-se pensar que o importador está tendo uma margem absurda, o que geralmente está errado. As diferentes situações de impostos possíveis que uma empresa pode possuir podem ter papel decisivo na precificação. Por exemplo, duas empresas vendendo o mesmo produto pelo mesmo preço podem ter diferentes margens de lucro, dependendo não somente de sua performance, mas também de sua situação tributária.

Conclusão, se você estudou sua entrada no Brasil e chegou à conclusão que o seu preço não é competitivo o suficiente, talvez você não esteja lidando com a melhor situação tributária e vale a pena consultar um especialista no assunto.

2.7.e. Localizações

A ideia de que negócios são feitos em São Paulo e que outras cidades, como Rio, Recife e Salvador, são para turismo, está apenas parcialmente correta. Esses são os lugares mais famosos, mas após olharmos com mais atenção, é possível encontrar outras opções melhores. Há ótimos lugares industriais espalhados pela região Sul do Brasil e alguns outros no Nordeste do país. Pode ser correto pensar em São Paulo como o coração econômico do Brasil, mas é importante considerar outras questões como segurança, qualidade de vida, estrutura, custos e salários e pode-se acabar com uma escolha diferente.

2.7.f. Tamanho do País

O Brasil é um país muito grande, possui uma área de aproximadamente 8,5 milhões de kilômetros quadrados, 200 vezes o tamanho da Suíça e quase duas vezes maior do que a União Européia. Trata-se do quinto maior país do mundo. Quando, por exemplo, alguém sai de São Paulo, de avião, para a Europa, levará cerca de 4 horas de voo apenas para deixar o território brasileiro. Outro exemplo é que se de São Paulo, você dirige para o Uruguai, no Sul, você estará a cerca de 1.500km da fronteira, o que certamente levará ao menos dois dias dirigindo. É muito relevante considerar o fator da distância ao elaborar uma estratégia de logística e distribuição no Brasil, e também ao selecionar parceiros.

2.7.g. Cultura

A cultura brasileira é muito diversa, devido ao seu tamanho e história de imigrações, o país possui uma multiplicidade de raças, religiões, e diversas origens, o Brasil é um caldeirão de culturas. Ás vezes esta mistura reflete-se até mesmo na religião dos Brasileiros, há muitas pessoas que seguem mais de uma religião por exemplo.

Quando você viaja para diferentes regiões, você pode pensar que está em um país diferente. A Bahia, por exemplo, possui mais elementos da cultura Africana, enquanto que ao ir para o extremo Sul, você pode pensar que está na Argentina. Ademais, em muitas cidades do Sul é possível encontrar lugares bem semelhantes com a Alemanha ou Itália. Em São Paulo, há a maior concentração de japoneses fora do Japão, algo em torno de mais de 1 milhão de Nisseis e Sanseis (segunda e terceira geração de japoneses). Em geral, a região Sul é mais similar à Europa em termos culturais do que a região Norte do Brasil.

2.7.h. Língua

O Brasil é o único país na América do Sul que fala Português. A língua inglesa não é falada de forma abrangente e o Espanhol, apesar de semelhante ao Português, é dificilmente compreendido pela maioria das pessoas. Além disso, a língua portuguesa falada no Brasil possui sotaque e palavras diferentes da de Portugual. Então, se você precisar traduzir o catálogo de uma empresa para vender no Brasil, deve-se procurar por um tradutor brasileiro. O tradutor português pode traduzir de forma diferente e o resultado muitas vezes pode ficar bem engraçado.

Um estudo recente sobre o uso da língua inglesa demonstrou que apenas 8% dos homens de negócios brasileiros podem comunicar-se perfeitamente em inglês. Cerca de 17% pode falar fluentemente, mas com alguns erros e 24% possui conhecimento básico da língua. Quando falamos dos consumidores em geral, a situação é ainda pior, apenas 13% da população pode comunicar-se ou ao menos entender inglês.

2.7.i. O Mercado Doméstico Brasileiro é Pobre

O Brasil possui 190 milhões de habitantes. Cerca de 10% dessa população possui o mesmo poder de compra do que a média Européia, o que seria em torno de 19 milhões de pessoas ou quase 3 vezes a população suíça. Os 90% restante está rapidamente ascendendo de classe nos últimos anos. As pessoas mais pobres, cuja renda é menor do que $100 por mês, correspondem por cerca de 10% da população e 80% pertence à classe média.

Autores: Ana Carolina B. Jacinto e Victor Albert Batista da Silva
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