Relatório de Comércio Bilateral


12/11/19

Introdução

Última atualização: outubro/2020

Brasil e Suíça possuem um relacionamento comercial harmonioso e de longo prazo. O Brasil é o principal parceiro econômico na América Latina, responsável por 36% dos negócios suíços na região. No ano de 2019, o Brasil ocupou a 24ª posição no ranking dos mais importantes parceiros comerciais da Suíça. Por outro lado, a Suíça é o 26º parceiro comercial mais importante do Brasil. O comércio bilateral entre os dois países em 2019 teve um aumento de 25% em relação ao ano anterior.

Segundo o portal Comex Stat do Ministério da Economia, o Brasil exportou, no ano de 2019, US$ 225 bilhões e importou US$ 177 bilhões, resultando em um superávit de US$ 46 bilhões na balança comercial. Já a Suíça exportou CHF 242 bilhões e importou CHF 205 bilhões, apresentando um superávit de CHF 37 bilhões.

Quanto ao intercâmbio comercial entre os dois países, foi registrado pelo sistema SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) que o Brasil exportou para a Suíça US$ 1,2 bilhão e importou US$ 2,5 bilhões em 2019. Esses valores apresentam uma variação positiva de 14,7% nas importações e 53,3% nas exportações, em relação a 2018.

Os principais produtos que o Brasil vendeu para a Suíça em 2019 foram ouro, aeronaves e outros equipamentos, minérios de ferro, carne de frango, querosene de aviação, válvulas cardíacas, preparações alimentícias, obras de arte, arroz, café, medicamentos, óleo de dendê, artigos e aparelhos ortopédicos, soja, entre outros.

Já a Suíça exportou para o Brasil especialmente medicamentos e produtos farmacêuticos, compostos de funções nitrogenadas, compostos organo-inorgânicos e heterocíclicos, caldeiras de geradores de vapor, geradores elétricos, café torrado, instrumentos de medição, aparelhos auditivos, máquinas para empacotar, relógios, construções pré-fabricadas, máquinas-ferramenta, tintas de impressão etc.

Além do campo econômico, as duas nações mantêm uma excelente relação diplomática no setor cultural e político e realizam reuniões ministeriais e consultas políticas regulares.

De acordo com a Embaixada da Suíça no Brasil, atualmente, quase 13.900 suíços vivem no Brasil, enquanto a comunidade brasileira na Suíça é de 21.596 pessoas (dados de outubro de 2019 – fonte: Departamento Federal de Assuntos Estrangeiros).

Relações diplomáticas entre Brasil e Suíça

Última atualização: outubro/2020

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Suíça têm seu início ainda quando o Brasil era parte do Império Português. Em 1818, D. João VI autorizou cem famílias suíças a se instalarem como imigrantes na Fazenda do Morro Queimado, no Rio de Janeiro. Esse núcleo de colonização cresceria ao ponto de se desmembrar das áreas de Cantagalo e ser alçado à categoria de vila de Nova Friburgo, no ano de 1820. Nova Friburgo se torna uma cidade no ano de 1890. Em 2017, Nova Friburgo recebe o título de “Suíça Brasileira” pelo Governo do Rio de Janeiro. Na atual região de Joinville (Santa Catarina), chegaram os primeiros imigrantes suíços em 1851 e no atual município de Rio Novo do Sul (Espírito Santo) em 1856. Em São Paulo, os imigrantes suíços se estabeleceram na região de Jundiaí, Limeira, Rio Claro e Piracicaba em 1854, até ser fundada a Colônia Helvetia em Indaiatuba em 1888, com atividades até os dias de hoje.

A primeira missão diplomática do Brasil na Suíça é estabelecida em 1855, quando José Francisco Guimarães torna-se o primeiro representante diplomático como Cônsul em Berna. O primeiro representante suíço em terras brasileiras foi Albert Gertsch, como encarregado de negócios, em 1907. Outro diplomata suíço de destaque foi Charles Redard, enviado ao Rio de Janeiro em 1912, onde serviu por 26 anos, e retornando ao Brasil pouco tempo depois para encerrar sua carreira diplomática na função de ministro plenipotenciário no Rio de Janeiro em 1949. A legação suíça no Rio de Janeiro tornou-se uma Embaixada em 1958, enquanto a legação brasileira em Berna tornou-se Embaixada no ano seguinte.

As empresas também tiveram um papel importante no incremento das relações entre Suíça e Brasil. Na década de 30, a Associação das Casas de Comércio Suíças reunia dirigentes de empresas suíças no Rio de Janeiro para discutir questões relacionadas aos negócios entre os dois países e também elaborar e enviar à Suíça relatórios mensais sobre a situação política e econômica brasileira. A partir de 1945, o grupo foi oficializado e se tornou a Câmara de Comércio Suíça do Brasil.

Na década de 50, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, foi inaugurada no Rio de Janeiro a Casa da Suíça, um prédio de onze andares que centralizava as atividades dos suíços residentes no Brasil daqueles tempos. A câmara suíça e as empresas suíças com atuação no Brasil também sediavam seus escritórios ali. Na década de 70, a Embaixada da Suíça mudou-se para Brasília, mas o Consulado da Suíça permanece no mesmo endereço até os dias de hoje, entre outras entidades suíças.

Mais informações e fotos da história de 75 anos da SWISSCAM e da comunidade suíça no Brasil podem ser vistas na página www.swisscam.com.br/swisscam-75-anos.

Nas últimas duas décadas, o Brasil e a Suíça aproximaram as relações buscando um maior desenrolar no comércio entre os países. Em 2007, foi assinado Memorando de Entendimento pelo chanceler Celso Amorim e pela conselheira federal Doris Leuthard que criou a Comissão Mista de Relações Econômicas e Comerciais com o objetivo de se tornar um “foco de coordenação e convergência entre os dois Governos e, sobretudo, entre os representantes do setor privado”, nas palavras do então Embaixador do Brasil na Suíça, Eduardo dos Santos.

A primeira reunião da Comissão Mista para Relações Comerciais e Econômicas aconteceu em Berna no dia 30 de outubro de 2007, conduzida pela Embaixadora Monika Rühl Burzi, Chefe do setor de Relações Econômicas Bilaterais da Secretaria Federal de Economia (SECO) da Suíça e pela Embaixadora Edileuza Fontenele Reis, Diretora da Secretaria de Relações Europeias do Ministério de Relações Exteriores do Brasil. A reunião também contou com a presença de vários representantes do setor empresarial. Desde então, a comissão se reuniu quase todos os anos, ora na Suíça, ora no Brasil, tendo sido o último encontro em 2018.

Em 2008, a Conselheira Federal Micheline Calmy-Rey esteve no Brasil e assinou memorando de entendimento para o estabelecimento de um plano de cooperação estratégica em temas de interesse comum das agendas política, econômica, científica e tecnológica.

Em 2009, entrou em vigor o Tratado de Cooperação Jurídica em Matéria Penal, assinado em 2004 pelo Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e pelo Conselheiro Federal Christoph Blocher. Ainda em 2009, o Acordo Bilateral de Cooperação Científica e Tecnológica foi assinado pelo Conselheiro Federal Pascal Couchepin e pelo Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil Sergio Machado Rezende.

Em 2011, o Acordo Bilateral para Intercâmbio de Trainees foi firmado pelo Conselheiro Federal Johann Schneider-Ammann e pelo Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota.

Em 2013, deputados e senadores do Grupo Parlamentar Brasil-Suíça, em cooperação com a SWISSCAM, realizaram uma viagem à Suíça com uma extensa agenda de visitas a empresas suíças, associações e instituições públicas, com destaque para o Centro de Pesquisas da Nestlé em Lausanne e para o Parlamento em Berna. O grupo, então liderado pelo Senador Paulo Bauer, foi instalado em 2003 com o intuito de aproximar os Parlamentos dos dois países. Neste mesmo ano, foi assinado o Acordo Relativo a Serviços Aéreos Regulares, que ainda se encontra em tramitação no Senado para ratificação. O objetivo é estabelecer um marco legal para a operação de serviços aéreos entre os dois países e se baseia na chamada “política de céus abertos”, em que duas nações flexibilizam as regras para os voos comerciais entre ambas.

Em 2014, foi celebrado o “Acordo de Previdência Social” pelo Conselheiro Federal Johann Schneider-Ammann e pelo Ministro de Estado das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado, que só entrou em vigor em 2019. Neste mesmo ano, a Receita Federal do Brasil finalmente reconheceu que a Suíça não deve ser considerada um país com situação tributária privilegiada (paraíso fiscal), depois de quatro anos de negociações diplomáticas. Neste sentido, os esforços resultaram na assinatura do “Acordo para o intercâmbio de informações sobre matéria tributária” em novembro de 2015 pelo Secretário da Receita Federal do Brasil Jorge Antonio Rachid e pelo Chefe do Departamento Federal de Finanças da Suíça Christoph Schelling, em vigor desde 2019. E no ano seguinte, Brasil e Suíça assinaram uma declaração conjunta sobre a aplicação da troca automática mútua de informações em matéria fiscal (AIA – Automatischer Informationsaustausch), padrão global desenvolvido no âmbito da OCDE. As trocas entre Brasil e Suíça iniciaram em 2019.

O Tratado entre Brasil e Suíça sobre a Transferência de Pessoas Condenadas foi assinado em 2015, porém ainda se encontra em tramitação no Congresso Nacional para a devida ratificação.

Em 2016, no contexto dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil recebeu a visita de várias autoridades suíças como os Conselheiros Federais Alain Berset, Guy Parmelin e Johann Schneider-Ammann, que era também o presidente da Confederação Suíça naquele ano e participou de um Roundtable com empresas suíças, organizado pelo Swiss Business Hub em parceria com a SWISSCAM, na House of Switzerland (Baixo Suíça), uma das poucas casas das nações abertas ao público durante os Jogos no Rio de Janeiro e foi palco de comemorações de medalhas, recepções e eventos com parceiros.

Com o intuito de demonstrar o consolidado e avançado campo da inovação na Suíça e ainda fortalecer relações, a SWISSCAM promoveu em 2017 a Innovation Trip Mission: uma viagem com parlamentares brasileiros para conhecer entidades suíças na área de inovação e empresas com enormes investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Em 2018, um importante acordo foi assinado, a “Convenção para Eliminar a Dupla Tributação em Relação aos Tributos sobre a Renda e Prevenir a Evasão e a Elisão Fiscais”. O atual Embaixador da Suíça no Brasil, Andrea Semadeni, enfatizou que a “falta de um acordo de dupla tributação entre os dois países era uma das maiores queixas das empresas suíças“. O acordo foi aprovado pelo parlamento suíço em março de 2019. No Brasil, o projeto está em tramitação no Senado.

O Fórum Mundial da Água aconteceu pela primeira vez no Hemisfério Sul em sua oitava edição, em março de 2018, em Brasília, onde a SWISSCAM foi designada pelo Departamento Federal de Relações Internacionais do Governo Suíço em parceria com Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação a organizar o estande suíço.

Em agosto de 2019, os países membros da Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) e do Mercosul assinaram um acordo de livre comércio, em Buenos Aires, que ainda espera a aprovação dos parlamentos dos respectivos países para entrar em vigor. A expectativa, segundo o Ministério da Economia, é de que o acordo eleve o PIB do Brasil em US$ 5,2 bi, em 15 anos.

Em outubro de 2019, a Anvisa e a Swissmedic assinaram acordo para um projeto-piloto em inspeção de boas práticas de fabricação de medicamentos e insumos farmacêuticos. Além disso, está previsto para 2020 a entrada da Anvisa no Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica, do qual a Swissmedic faz parte desde 1996, o que permitirá o reconhecimento mútuo das inspeções entre os dois países.

Em novembro de 2019, uma delegação suíça chefiada pelo Embaixador Mauro Moruzzi esteve em Brasília para reforçar sua colaboração nas áreas de pesquisa e inovação. O encontro celebrou o 10º aniversário do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica assinado em 2009 com o Brasil, com a presença do Ministro Marcos Pontes. Na ocasião, memorandos de entendimento foram assinados pela Swiss National Science Foundation e pelo CONFAP e também pela Innosuisse – Swiss Innovation Agency, a agência suíça para a promoção da inovação e a EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, que oferecerão apoio a projetos de inovação entre empresas do Brasil e da Suíça.

 

Destaques comerciais

O UBS e o Banco do Brasil assinaram um Memorando de Entendimento de caráter não vinculante para lançar um banco de investimento líder na América do Sul, prestando serviços no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, sendo o UBS o acionista majoritário (50,01%) da parceria, que ainda está sujeita à finalização das negociações entre as partes.

O Bobst Group anunciou que abrirá em 2020 uma nova instalação em Itatiba-SP, que ocupará uma área de 6.000 m², incluindo um centro de competência e uma área de treinamento.

A Emmi, importante processadora de leite suíça, em sua estratégia de fortalecer os negócios internacionais, aumentou sua participação para 70% na Laticínios Porto Alegre, um dos três maiores processadores de leite de Minas Gerais. A aquisição da maioria das ações está sujeita à aprovação da autoridade local.

A companhia suíça Aryzta, que atua no segmento de panificação congelada, anunciou em julho de 2018, um investimento de R$ 150 milhões para a instalação de mais uma fábrica no mercado brasileiro. A quinta unidade da empresa no país deve iniciar suas operações em 2020 e ficará na cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais. Depois de pronta, esta será a maior fábrica da companhia, com 12 mil metros quadrados.

Em março de 2019, a Zurich Airport ganhou concessões para a operação de mais dois aeroportos no Brasil, nas cidades de Vitória/ES e Macaé/RJ, por um período de 30 anos, que inclui investimentos em expansão nos anos seguintes. É o quarto aeroporto no Brasil e o oitavo na América Latina operados pela empresa suíça.

A empresa suíça Stadler Rail entregou trens personalizados para o Corcovado, no Rio de Janeiro, um investimento de R$ 200 milhões. É a quarta geração de trens com tecnologia suíça desde 1884, em uma das atrações turísticas mais populares do Brasil.

Um consórcio formado pela empresa suíça Molinari e as empresas brasileiras TTrans e Bom Sinal fornecerá ao Metrô de São Paulo novos trens, sistemas e equipamentos para a nova linha 17 (Ouro). Com a melhor oferta (aproximadamente R$ 1 bilhão) apresentada em outubro de 2019, os documentos do consórcio ainda estão sujeitos à aprovação.

A Nestlé investirá R$ 1 bilhão no estado de São Paulo nos próximos três anos para introduzir novas linhas de produção nas fábricas de Araçatuba e Caçapava, novas tecnologias e iniciativas digitais, além de acelerar startups.

A ABB anunciou no final de 2018 um investimento de R$ 1 milhão para a expansão do Centro de Treinamento em Robótica (CTR), localizado no complexo industrial da empresa em Guarulhos (SP).

A franquia franco-suíça de material de construção Disensa chegou ao país em fevereiro de 2018. Criada pelo grupo LafargeHolcim, a rede conta com mais de mil lojas em toda a América Latina. No Brasil, a meta é chegar a 350 lojas até 2022.

A empresa suíça especializada em higiene bucal Curaprox inaugurou, em 2018, um centro de distribuição em São Caetano do Sul, na grande São Paulo. Em uma área de 3.000 m², a empresa investiu R$ 15 milhões no prédio, que concentra a operação logística de todo o território nacional. São 33 empregos diretos e cerca de 300 indiretos, com expectativa de dobrar este número nos próximos cinco anos.

A Perlen Packaging AG adquiriu uma empresa brasileira em 2018 e abriu uma nova fábrica no estado de Goiás para desenvolver soluções de embalagem para a indústria farmacêutica. A empresa suíça pretende investir R$ 70 milhões nos próximos dois anos e aumentar o número de funcionários de 30 para 300.

A Atlas Schindler inaugurou duas novas sedes no Brasil, em Curitiba e em Salvador. Em 2018, a Atlas Schindler comemorou 100 anos no Brasil. No Paraná, além do novo prédio da filial, a companhia também investiu na modernização da planta da fábrica de Londrina, que exporta os produtos da empresa para toda a América Latina.

A Glen-Rico SA, uma joint venture entre a Glencore e a Ricolog, uma empresa de logística brasileira, foi formada em 2018 para transportar o açúcar produzido pela Glencore no estado de São Paulo para o porto de Paranaguá no estado do Paraná. No mesmo ano, a empresa suíça adquiriu 78% da ALE Combustíveis, o quarto maior distribuidor de combustível do Brasil, com aproximadamente 1.500 postos de gasolina em 22 estados.

O fundo suíço Partners Group oficializou no final de 2018 a compra da rede Hortifruti. O grupo europeu vai investir R$ 80 milhões em 2019 na marca, com o objetivo de abrir 12 lojas e expandir o negócio. Atualmente, o Hortifruti, que surgiu no Espírito Santo, tem 34 lojas no Rio e outras duas em terras capixabas. Além da marca Hortifruti, o negócio envolve a rede Natural da Terra, que possui nove lojas em São Paulo e que foi comprada em 2015 pela varejista de hortifrutigranjeiros.

Oportunidades de negócios

Apesar da crise econômica e política destes últimos anos, o Brasil continua a atrair investidores suíços e de outros países, principalmente porque o país vem mostrando melhoras significativas. O Relatório “Perspectivas do Investimento do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES)”, de julho de 2019, projeta que os investimentos para o quadriênio 2019-2022 alcançarão R$ 1,1 trilhão. Na comparação com o levantamento realizado em julho do ano passado para o período 2018-2021, houve aumento real de 2,7% do total de investimentos.

As projeções são de crescimento na indústria. Já na infraestrutura, a comparação entre o valor em 2018 e a média de 2019 a 2022 mostra cenário de ligeira queda. O que explica, na indústria, o cenário de forte expansão dos investimentos, em grande medida, é o desempenho de petróleo e gás, impulsionado pela recuperação do preço do petróleo e pelos leilões de concessão ou de partilha de blocos exploratórios ocorridos em 2017 e no início de 2018.

Já na infraestrutura, o cenário é de retração nos investimentos em energia elétrica até 2021, com retomada a partir de 2022. Em contraste, a perspectiva é de aumento significativo nos investimentos em logística e saneamento. Os desempenhos nesses dois setores mostram recuperação dos investimentos nas áreas mais carentes de desenvolvimento, sobretudo a partir de 2020.

Há perspectivas crescentes de inserção das ferrovias no transporte de granéis agrícolas de exportação (Ferrovia Norte-Sul e aumento de capacidade da Malha Norte em direção ao Porto de Santos), mas desafios ainda persistem no transporte ferroviário de carga geral, principal demanda brasileira. Em saneamento, chama a atenção o fato de mais da metade do esgoto gerado no país (54%) não ser tratada (dados de 2017).

A Suíça atrai investimentos do mundo inteiro e as empresas brasileiras conhecem bem o potencial do país. A Suíça se destaca nãos setores de Tecnologia da informação e Comunicação, ciências biológicas e indústria de máquinas, elétricas e metalurgia. A Suíça tem inúmeros parques de tecnologia e incubadoras de negócios, cuja maioria se encontra reunida em associações. Com diferentes formatos e alinhamentos em termos e temas e áreas do conhecimento, eles se desenvolveram por meio de estreitos vínculos com instituições de ensino superior e, em parte, a partir de iniciativa puramente privada.

Em 2009, a Suíça ocupava o quinto lugar no ranking de Competitividade Digital Mundial produzida pela Escola de Negócios IMD, sediada em Lausanne. O ranking mede a capacidade e a prontidão de 63 países em adaptar e explorar tecnologias digitais, um fator-chave na transformação econômica vivida por empresas, governo e pela sociedade de maneira mais ampla.

Atualmente, a Suíça vem se destacando fortemente na área de fintech. Um estudo do Instituto de Serviços Financeiros Zug IFZ, da Universidade de Lucerna de Ciências Aplicadas e Artes, mostra Zurique e Genebra na segunda e terceira posições, entre as cidades com as melhores condições para o desenvolvimento de negócios na área de fintech. As excelentes condições combinadas ao agrupamento de empreendedores inovadores, às autoridades proativas e aos principais institutos de pesquisa científica, permitiram o desenvolvimento do “Crypto Valley”, no cantão de Zug. As empresas de fintech suíças arrecadaram 271 milhões de francos suíços por meio dessa forma alternativa de financiamento em 2017.

Em 2018, os órgãos reguladores Swiss Financial Market Supervisory Authority (Finma) e sua homóloga brasileira, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assinaram um acordo de cooperação na área de fintechs. “O acordo representa avanço da nossa cooperação na área, ao providenciar estrutura adequada para que as inovadoras empresas de fintech estabeleçam discussões e entendam requisitos regulatórios. Ademais, o acordo ajuda a reduzir a incerteza regulatória e o prazo de comercialização”, disse o Secretário de Estado da Suíça, Jörg Gasser, em evento realizado em São Paulo.

A Suíça e o governo suíço também demonstram grande interesse em tecnologias para a geração e utilização de energia limpa e renovável, favorecendo o Brasil no campo dos biocombustíveis e etanol. Nessa área, as oportunidades residem tanto na venda direta de combustíveis alternativos como também na transferência de tecnologia e parcerias produtivas entre empresas dos dois países.

Investimentos

A Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação, do Ministério da Economia divulga semestralmente relatórios com informações sobre investimentos produtivos no Brasil. Segundo o relatório, os anúncios de investimento da Suíça em 2018 e 2019 foram de US$ 1,19 bilhão, conforme tabela abaixo:

EmpresaCapital de OrigemDescrição do InvestimentoTipoValor (US$)
FERRING PHARMACEUTICALSSuíçaInvestimento para desenvolvimento de produtos com cientistas brasileiros, incluindo a fase pré-clínica.Expansão2.645.503
HORTIFRUTI NATURAL DA TERRA (PARTNERS GROUP)SuíçaInvestimento para abertura de cinco (5) unidades no Rio de Janeiro e na reforma de nove (9) lojas da marca Natural da Terra, em São Paulo.Implantação

Modernização

21.341.463
ABB LTDASuíçaInvestimento na expansão do Centro de Treinamento da Robótica da empresa, em Guarulhos (SP).Expansão264.550
NESTLÉSuíçaInvestimento na fábrica Dolce Gusto, em Montes Claros (MG). Visando duplicar a capacidade fabril das cápsulas multibebidas, serão aplicadas duas (2) novas linhas de produção, o que equivale ao dobro da atual capacidade da fábrica, chegando a 800 milhões de cápsulas por ano.Expansão61.728.395
NESTLÉ / FONTERRANova Zelândia,SuíçaInvestimento para implantação de uma (1) fábrica em Garanhuns (PE). Unidade irá envasar leite Ninho em pó, na versão sachê. A nova linha deverá ter uma capacidade instalada total de dez mil toneladas por ano, o que deve acontecer gradativamente, atingindo esse nível de capacidade máxima em cerca de quatro anos.Implantação1.524.390
DG POWER (DGPL) / MERCURIA ENERGY TRADINGBangladesh,SuíçaInvestimento na primeira fase de uma formuladora de combustíveis na região do porto de Pecém.Implantação51.020.408
ATLAS SCHINDLERSuíçaInvestimento para construção de uma (1) nova sede, no bairro Cambuci (SP). A área será duas vezes maior que a atual; o centro de treinamentos e o de distribuição serão ampliados e o mostruário, modernizado. Haverá, ainda, reforma de escritórios na fábrica de Londrina (PR) e melhorias operacionais nas filias.ExpansãoImplantação23.529.411
ATLAS SCHINDLERSuíçaInvestimento para construção de uma (1) nova sede, no bairro Cambuci (SP). A área será duas vezes maior que a atual; o centro de treinamentos e o de distribuição serão ampliados e o mostruário, modernizado. Haverá, ainda, reforma de escritórios na fábrica de Londrina (PR) e melhorias operacionais nas filias.ExpansãoImplantação2.941.177
ARYZTASuíçaInvestimento para construção de uma (1) fábrica de panificação congelada. A unidade terá 12 mil metros quadrados dedicada à produção de pães na região Sul ou Sudeste. Depois de pronta, será a maior fábrica da companhia.Implantação39.787.798
LATICÍNIOS PORTO ALEGREBrasil,SuíçaInvestimento em uma torre de secagem de leite na unidade de Antônio Carlos (MG).Expansão Modernização7.462.686
LATÍCINIOS PORTO ALEGREBrasil,SuíçaInvestimento em uma nova unidade em Patos de Minas (MG). A planta produzirá queijos muçarela, prato, parmesão e soro de leite em pó, que será comercializado para outras indústrias.Implantação14.925.373
NESTLÉSuíçaInvestimento para ampliar a produção de chocolate e de produto de nutrição infantil em suas fábricas de Caçapava e Araçatuba, no estado de São Paulo.Modernização265.251.989
NESTLÉSuíçaInvestimento para transferir as atividades da unidade de Itabuna (BA) para a fábrica de Feira de Santana (BA), que será ampliada e receberá aportes para três novas linhas de produção de ”Nescau Pronto para Beber”. A ideia é que a unidade passe a ser um hub de produção e distribuição para o Nordeste. Os novos equipamentos de Feira de Santana terão capacidade para produzir até 75 mil toneladas por ano.Expansão Modernização11.936.339
NESTLÉSuíçaInvestimento em onze (11) unidades industriais e centros de distribuição localizados em São Paulo, principal fornecedor de leite para a empresa no país. Este valor será investido nas fábricas, digitalização, inovação de produto e orgânicos.Modernização177.083.333
LAFARGEHOLCIM LTDSuíçaInvestimento na planta de agregados em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo. Os recursos serão destinados à aquisição de novos equipamentos, automação e ampliação das instalações para a produção de três novos tipos de areia artificial para argamassa e filler de calcário, o que ampliará a capacidade de produção da unidade de 60 mil para 80 mil toneladas/mês de cimento.Expansão Modernização3.713.527
NOVARTISSuíçaInvestimento em pesquisas clínicas. O montante está previsto para estudos em todas as áreas da companhia: oncologia, oftalmologia, biossimilares e outras especialidades, como neurologia, imunologia e sistema respiratório. O montante será destinado a 63 ensaios, 50 deles em tratamentos contra câncer.Expansão255.102.041
OCTAPHARMA / HEMOBRÁS / TECPARBrasil,SuíçaInvestimento para implantação de uma (1) fábrica em Maringá (PR). A unidade produzirá seis (6) hemoderivados: albumina, imunoglobulina, fatores de coagulação VIII e IX plasmáticos, fator de Von Willebrand e complexo protrombínico.Implantação250.000.000
ARCH QUÍMICA BRASIL (LONZA GROUP)SuíçaInvestimento para instalação de atividades industriais no município de Sorocaba (SP). O foco será desenvolver e fabricar produtos químicos para tratamento de piscinas e águas industriais. Estima-se que 80% da operação de distribuição seja instalada até dezembro de 2018 e 100% da operação concluída até março de 2019.Implantação5.333.333

Fonte: MDIC

Segundo o relatório Perspectivas do Investimento 2018-2021 do BNDES,  a perspectiva é de crescimento real de 1,9% ao ano, em média, nos investimentos ao longo de 2018 a 2021, mostrando uma melhora significativa nas expectativas comparadas ao levantamento anterior, quando a projeção era de queda de 3,1%, em média, nos investimentos de 2017 a 2020.

Os fatores determinantes na melhora do cenário foram o aumento dos preços internacionais de commodities, a recuperação da demanda interna e as políticas públicas e programas de concessão de serviços públicos.

Na indústria, a projeção é de 5,9% ao ano e de 13,3% ao ano no setor de logística. Já na infraestrutura, ainda há uma retração de 2,0%, principalmente no setor de energia elétrica.

 

Tabela 1: Perspectivas do investimento 2018-2021 (posição em outubro de 2018) – Em bilhões de Reais

 

Setor2017Média anual  Projetada

2018-2021

Extrativa Mineral13,815,1
Petróleo e gás57,972,8
Alimentos8,99,5
Bebidas2,32,8
Biocombustíveis2,72,9
Papel e celulose7,75,3
Siderurgia2,33,8
Química2,73,7
Complexo industrial da saúde5,05,1
Complexo eletroeletrônico4,15,3
Automotivo6,86,1
Aeroespacial2,82,5
Indústria116,8135,0
Energia elétrica61,140,1
Telecomunicações28,030,2
Logística28,339,1
  • Rodovias
14,420,2
  • Ferrovias
7,89,8
  • Portos
1,34,5
  • Aeroportos
1,52,0
  • Mobilidade urbana
3,22,6
Saneamento11,413,1
Infraestrutura128,8122,5

Fonte:

BNDES

Empresas suíças no Brasil

Cerca de 350 companhias de origem suíça mantém operações no Brasil. Grandes empresas como ABB, Adecco, Aryzta, Autoneum, Blaser, Barry Callebaut, Bobst, Bühler, Clariant, Credit Suisse, Dufry, Ferring, Firmenich, Givaudan, Huber + Suhner, Lafarge-Holcim, Liebherr, Lindt, Lonza, MSC, Nestlé, Novartis, Panalpina, Precious Woods, Richemont, Roche, Elevadores Atlas Schindler, R&M, Rolex, SGS, Sig Combibloc, Sigvaris, Sika, Sulzer, Swatch, Swiss International Air Lines, Swiss Re, Swissport, Syngenta, UBS Victorinox, Zurich, Zürcher Kantonalbank, entre várias outras têm uma significativa presença no mercado brasileiro, muito utilizado como plataforma de exportação para os demais países da América Latina. Algumas delas estão presentes no Brasil há mais de 100 anos.

Empresas brasileiras na Suíça

Algumas das principais empresas brasileiras que investem na Suíça são: CBMM, Vale, Vicunha, Banco Safra, Itaú Private Bank, Biomecânica, Stefanini IT, Suzano, EFW Capital Advisors, Welle Laser. O Brasil se faz presente também através de pequenas e microempresas montadas por cidadãos brasileiros. São escritórios de advocacia, agências de viagem, restaurantes, lojas e salões de beleza (uma lista encontra-se disponível no site da CIGA Brasil: www.cigabrasil.ch/enderecos/suica.html)

Mapa da Suíça e outros dados

 

Área (km2): 41.285
População: 8.5 milhões (2018)
Idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e romanche (reto-romano)
Capital: Berna
Moeda: Franco suíço – CHF
PIB: US$ 705,5 bilhões (2018)
PIB per capita: US$ 68.079 (2017)
Exportação total: US$ 305 bilhões (2018)
Importação total: US$ 274 bilhões (2018

Embaixada da Suíça no Brasil:
SES Av. das Nações Q. 811, lote 41
70448-900 Brasília – DF
Tel.: +55 61 3443 5500
Embaixador: Sr. Andrea Semadeni
E-mail: [email protected]
www.eda.admin.ch/brasilia

Mapa do Brasil e outros dados

Área (km2): 8.514.877
População: 210 milhões (2018)
Idioma oficial: português
Capital: Brasília
Moeda: Real – BRL – R$
PIB: US$ 6,8 trilhões (2018)
PIB per capita: US$ 32.747 (2018)
Exportação total: US$ 239 bilhões (2018)
Importação total: US$ 181 bilhões (2018)

Embaixada do Brasil na Suíça:
Monbijoustrasse 68
CH – 3007 Bern
Tel.: +41 31 371 8515
Embaixador: Sr. José Borges dos Santos Junior
E-mail: [email protected]
berna.itamaraty.gov.br

Links úteis

Agência de Promoção de Exportações – APEX Brasil
SBN Quadra 2 – Lote 11, Edifício Apex-Brasil
70040-020 Brasília – DF – Tel.: +55 61 3426 0202
www.apexbrasil.com.br

Brasil Export – Guia de Comércio Exterior e Investimento
www.investexportbrasil.gov.br

Consulado Geral do Brasil em Genebra
45, rue de Lausanne – 1er étage
CH – 1201 Genève
Tel.: +41 22 906 9420
E-mail: [email protected]
genebra.itamaraty.gov.br
Susan Kleebank – Cônsul-Geral

Consulado Geral do Brasil em Zurique
General Consulate of Brazil in Zurich
Stampfenbachstrasse 138
CH – 8006 Zürich
Tel.: +41 44 206 9020
E-mail: [email protected]
zurique.itamaraty.gov.br
Alexandre Ruben Milito Gueiros – Cônsul-Geral

Consulado Geral da Suíça em São Paulo
Avenida Paulista, 1754 – 4° andar
01310-200 São Paulo – SP
Tel.: +55 11 3372 8200
E-mail: [email protected]
www.eda.admin.ch/saopaulo
Urs Brönnimann – Cônsul-Geral

Câmara de Comércio Latino-Americana na Suíça – Latcam
Kasernenstrasse 11
CH – 8004 Zürich
Tel.: +41 44 240 3300
E-mail: [email protected]
www.latcam.ch

Switzerland Global Enterprise
Stampfenbachstrasse 85
8006 Zürich
Tel.: +41 44 365 5151
www.s-ge.com

Rede Nacional de Informações sobre o Investimento – RENAI
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Secretaria do Desenvolvimento da Produção – SDP
Esplanada dos Ministérios, Bloco “J”, 5º andar – Sala 507
70053-900 Brasília – DF
Tel.: +55 61 2027 7055
E-mail: [email protected]
www.investexportbrasil.gov.br/renai