Relatório de Comércio Bilateral


21/07/21

Introdução

Brasil e Suíça possuem um relacionamento comercial harmonioso e de longo prazo. O Brasil é o principal parceiro econômico na América Latina, responsável por 34,4% dos negócios suíços na região. No ano de 2020, o Brasil ocupou a 24ª posição no ranking dos mais importantes parceiros comerciais da Suíça. Por outro lado, entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a Suíça ocupa o 34º lugar no ranking das exportações e o 19º lugar no ranking das importações. O comércio bilateral entre os dois países em 2020 teve uma retração de 12,5% em relação ao ano anterior, devido principalmente à pandemia da COVID-19.

Segundo o portal Comex Stat do Ministério da Economia, o Brasil exportou, no ano de 2020, US$ 209 bilhões e importou US$ 158 bilhões, resultando em um superávit de US$ 51 bilhões na balança comercial. Já a Suíça exportou CHF 225 bilhões e importou CHF 182 bilhões, apresentando um superávit de CHF 43 bilhões, segundo a Administração Federal Aduaneira da Suíça.

Quanto ao intercâmbio comercial entre os dois países, foi registrado pelo sistema SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) que o Brasil exportou para a Suíça US$ 1,4 bilhão e importou US$ 2 bilhões em 2020. Esses valores apresentam uma variação negativa de 26% nas importações e 9,2% nas exportações, em relação a 2019, em decorrência da crise sanitária da COVID-19 como já dito anteriormente.

Os principais produtos que o Brasil vendeu para a Suíça em 2020 foram ouro, aeronaves e outros equipamentos, minérios de ferro, carne de frango, querosene de aviação, válvulas cardíacas, preparações alimentícias, obras de arte, arroz, café, medicamentos, óleo de dendê, artigos e aparelhos ortopédicos, soja, entre outros.

Já a Suíça exportou para o Brasil especialmente medicamentos e produtos farmacêuticos, compostos de funções nitrogenadas, compostos organo-inorgânicos e heterocíclicos, caldeiras de geradores de vapor, geradores elétricos, café torrado, instrumentos de medição, aparelhos auditivos, máquinas para empacotar, relógios, construções pré-fabricadas, máquinas-ferramenta, tintas de impressão etc.

Além do campo econômico, as duas nações mantêm uma excelente relação diplomática no setor cultural e político e realizam reuniões ministeriais e consultas políticas regulares.

De acordo com a Embaixada da Suíça no Brasil, atualmente, quase 13.857 suíços vivem no Brasil, enquanto a comunidade brasileira na Suíça é de 21.596 pessoas (dados de outubro de 2020 – fonte: Escritório Federal de Estatísticas da Suíça).

Relações diplomáticas entre Brasil e Suíça

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Suíça têm seu início ainda quando o Brasil era parte do Império Português. Em 1818, D. João VI autorizou cem famílias suíças a se instalarem como imigrantes na Fazenda do Morro Queimado, no Rio de Janeiro. Esse núcleo de colonização cresceria ao ponto de se desmembrar das áreas de Cantagalo e ser alçado à categoria de vila de Nova Friburgo, no ano de 1820. Nova Friburgo se torna uma cidade no ano de 1890. Em 2017, Nova Friburgo recebe o título de “Suíça Brasileira” pelo Governo do Rio de Janeiro. Na atual região de Joinville (Santa Catarina), chegaram os primeiros imigrantes suíços em 1851 e no atual município de Rio Novo do Sul (Espírito Santo) em 1856. Em São Paulo, os imigrantes suíços se estabeleceram na região de Jundiaí, Limeira, Rio Claro e Piracicaba em 1854, até ser fundada a Colônia Helvetia em Indaiatuba em 1888, com atividades até os dias de hoje.

A primeira missão diplomática do Brasil na Suíça é estabelecida em 1855, quando José Francisco Guimarães torna-se o primeiro representante diplomático como Cônsul em Berna. O primeiro representante suíço em terras brasileiras foi Albert Gertsch, como encarregado de negócios, em 1907. Outro diplomata suíço de destaque foi Charles Redard, enviado ao Rio de Janeiro em 1912, onde serviu por 26 anos, e retornando ao Brasil pouco tempo depois para encerrar sua carreira diplomática na função de ministro plenipotenciário no Rio de Janeiro em 1949. A legação suíça no Rio de Janeiro tornou-se uma Embaixada em 1958, enquanto a legação brasileira em Berna tornou-se Embaixada no ano seguinte.

As empresas também tiveram um papel importante no incremento das relações entre Suíça e Brasil. Na década de 30, a Associação das Casas de Comércio Suíças reunia dirigentes de empresas suíças no Rio de Janeiro para discutir questões relacionadas aos negócios entre os dois países e também elaborar e enviar à Suíça relatórios mensais sobre a situação política e econômica brasileira. A partir de 1945, o grupo foi oficializado e se tornou a Câmara de Comércio Suíça do Brasil.

Na década de 50, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, foi inaugurada no Rio de Janeiro a Casa da Suíça, um prédio de onze andares que centralizava as atividades dos suíços residentes no Brasil daqueles tempos. A câmara suíça e as empresas suíças com atuação no Brasil também sediavam seus escritórios ali. Na década de 70, a Embaixada da Suíça mudou-se para Brasília, mas o Consulado da Suíça permanece no mesmo endereço até os dias de hoje, entre outras entidades suíças.

Mais informações e fotos da história de 75 anos da SWISSCAM e da comunidade suíça no Brasil podem ser vistas na página www.swisscam.com.br/swisscam-75-anos.

Nas últimas duas décadas, o Brasil e a Suíça aproximaram as relações buscando um maior desenrolar no comércio entre os países. Em 2007, foi assinado Memorando de Entendimento pelo chanceler Celso Amorim e pela conselheira federal Doris Leuthard que criou a Comissão Mista de Relações Econômicas e Comerciais com o objetivo de se tornar um “foco de coordenação e convergência entre os dois Governos e, sobretudo, entre os representantes do setor privado”, nas palavras do então Embaixador do Brasil na Suíça, Eduardo dos Santos.

A primeira reunião da Comissão Mista para Relações Comerciais e Econômicas aconteceu em Berna no dia 30 de outubro de 2007, conduzida pela Embaixadora Monika Rühl Burzi, Chefe do setor de Relações Econômicas Bilaterais da Secretaria Federal de Economia (SECO) da Suíça e pela Embaixadora Edileuza Fontenele Reis, Diretora da Secretaria de Relações Europeias do Ministério de Relações Exteriores do Brasil. A reunião também contou com a presença de vários representantes do setor empresarial. Desde então, a comissão se reuniu quase todos os anos, ora na Suíça, ora no Brasil, tendo sido o último encontro em 2018.

Em 2008, a Conselheira Federal Micheline Calmy-Rey esteve no Brasil e assinou memorando de entendimento para o estabelecimento de um plano de cooperação estratégica em temas de interesse comum das agendas política, econômica, científica e tecnológica.

Em 2009, entrou em vigor o Tratado de Cooperação Jurídica em Matéria Penal, assinado em 2004 pelo Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e pelo Conselheiro Federal Christoph Blocher. Ainda em 2009, o Acordo Bilateral de Cooperação Científica e Tecnológica foi assinado pelo Conselheiro Federal Pascal Couchepin e pelo Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil Sergio Machado Rezende.

Em 2011, o Acordo Bilateral para Intercâmbio de Trainees foi firmado pelo Conselheiro Federal Johann Schneider-Ammann e pelo Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota.

Em 2013, deputados e senadores do Grupo Parlamentar Brasil-Suíça, em cooperação com a SWISSCAM, realizaram uma viagem à Suíça com uma extensa agenda de visitas a empresas suíças, associações e instituições públicas, com destaque para o Centro de Pesquisas da Nestlé em Lausanne e para o Parlamento em Berna. O grupo, então liderado pelo Senador Paulo Bauer, foi instalado em 2003 com o intuito de aproximar os Parlamentos dos dois países. Neste mesmo ano, foi assinado o Acordo Relativo a Serviços Aéreos Regulares, que foi ratificado em 2021. O objetivo é estabelecer um marco legal para a operação de serviços aéreos entre os dois países e se baseia na chamada “política de céus abertos”, em que duas nações flexibilizam as regras para os voos comerciais entre ambas.

Em 2014, foi celebrado o “Acordo de Previdência Social” pelo Conselheiro Federal Johann Schneider-Ammann e pelo Ministro de Estado das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado, que só entrou em vigor em 2019. Neste mesmo ano, a Receita Federal do Brasil finalmente reconheceu que a Suíça não deve ser considerada um país com situação tributária privilegiada (paraíso fiscal), depois de quatro anos de negociações diplomáticas. Neste sentido, os esforços resultaram na assinatura do “Acordo para o intercâmbio de informações sobre matéria tributária” em novembro de 2015 pelo Secretário da Receita Federal do Brasil Jorge Antonio Rachid e pelo Chefe do Departamento Federal de Finanças da Suíça Christoph Schelling, em vigor desde 2019. E no ano seguinte, Brasil e Suíça assinaram uma declaração conjunta sobre a aplicação da troca automática mútua de informações em matéria fiscal (AIA – Automatischer Informationsaustausch), padrão global desenvolvido no âmbito da OCDE. As trocas entre Brasil e Suíça iniciaram em 2019.

O Tratado entre Brasil e Suíça sobre a Transferência de Pessoas Condenadas foi assinado em 2015, porém ainda se encontra em tramitação no Congresso Nacional para a devida ratificação.

Em 2016, no contexto dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil recebeu a visita de várias autoridades suíças como os Conselheiros Federais Alain Berset, Guy Parmelin e Johann Schneider-Ammann, que era também o presidente da Confederação Suíça naquele ano e participou de um Roundtable com empresas suíças, organizado pelo Swiss Business Hub em parceria com a SWISSCAM, na House of Switzerland (Baixo Suíça), uma das poucas casas das nações abertas ao público durante os Jogos no Rio de Janeiro e foi palco de comemorações de medalhas, recepções e eventos com parceiros.

Com o intuito de demonstrar o consolidado e avançado campo da inovação na Suíça e ainda fortalecer relações, a SWISSCAM promoveu em 2017 a Innovation Trip Mission: uma viagem com parlamentares brasileiros para conhecer entidades suíças na área de inovação e empresas com enormes investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Em 2018, um importante acordo foi assinado, a “Convenção para Eliminar a Dupla Tributação em Relação aos Tributos sobre a Renda e Prevenir a Evasão e a Elisão Fiscais”. O atual Embaixador da Suíça no Brasil, Andrea Semadeni, enfatizou que a “falta de um acordo de dupla tributação entre os dois países era uma das maiores queixas das empresas suíças“. O acordo foi aprovado pelo parlamento suíço em 2019. No Brasil, foi ratificado em 2021 e entrará em vigor em janeiro 2022, de acordo com as informações da Embaixada da Suíça.

O Fórum Mundial da Água aconteceu pela primeira vez no Hemisfério Sul em sua oitava edição, em março de 2018, em Brasília, onde a SWISSCAM foi designada pelo Departamento Federal de Relações Internacionais do Governo Suíço em parceria com Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação a organizar o estande suíço.

Ainda em 2018, os órgãos reguladores Swiss Financial Market Supervisory Authority (Finma) e sua homóloga brasileira, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assinaram um memorando de entendimento para cooperação na área de fintechs. “O acordo representa avanço da nossa cooperação na área, ao providenciar estrutura adequada para que as inovadoras empresas de fintech estabeleçam discussões e entendam requisitos regulatórios. Ademais, o acordo ajuda a reduzir a incerteza regulatória e o prazo de comercialização”, disse o Secretário de Estado da Suíça, Jörg Gasser, em evento realizado em São Paulo.

Em agosto de 2019, os países membros da Efta (Associação Europeia de Livre Comércio) e do Mercosul assinaram um acordo de livre comércio, em Buenos Aires, que ainda espera a aprovação dos parlamentos dos respectivos países para entrar em vigor. A expectativa, segundo o Ministério da Economia, é de que o acordo eleve o PIB do Brasil em US$ 5,2 bi, em 15 anos. Atualmente se encontra paralisado por conta de controvérsias na questão ambiental, o que fará com que certamente haja um referendo na Suíça, segundo o Embaixador da Suíça no Brasil Andrea Semadeni.

Em outubro de 2019, a Anvisa e a Swissmedic assinaram acordo para um projeto-piloto em inspeção de boas práticas de fabricação de medicamentos e insumos farmacêuticos. Além disso, está previsto para 2020 a entrada da Anvisa no Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica, do qual a Swissmedic faz parte desde 1996, o que permitirá o reconhecimento mútuo das inspeções entre os dois países.

Em novembro de 2019, uma delegação suíça chefiada pelo Embaixador Mauro Moruzzi esteve em Brasília para reforçar sua colaboração nas áreas de pesquisa e inovação. O encontro celebrou o 10º aniversário do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica assinado em 2009 com o Brasil, com a presença do Ministro Marcos Pontes. Na ocasião, memorandos de entendimento foram assinados pela Swiss National Science Foundation e pelo CONFAP e também pela Innosuisse – Swiss Innovation Agency, a agência suíça para a promoção da inovação e a EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, que oferecerão apoio a projetos de inovação entre empresas do Brasil e da Suíça.

Em setembro de 2020, representantes da Suíça e do Brasil, realizaram um videoconferência onde discutiram relações econômicas bilaterais, a crise do Covid-19 e as medidas tomadas pelos dois países para aliviar os efeitos negativos na economia causados pela pandemia.

Em abril de 2021 aconteceu nova reunião da Comissão Mista Econômica Brasil-Suíça com a participação de representantes de várias ramos das indústrias suíças, como da indústria farmacêutica e de relógios, que levaram as demandas e problemas que as empresas suíças enfrentam no Brasil.

Destaques comerciais

O UBS e o Banco do Brasil assinaram um Memorando de Entendimento de caráter não vinculante para lançar um banco de investimento líder na América do Sul, prestando serviços no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, sendo o UBS o acionista majoritário (50,01%) da parceria, que foi formalizada em setembro de 2020.

A Bobst inaugurou em 2020 sua nova instalação em Itatiba-SP, que ocupa uma área de 6.000 m² e inclui um centro de competência e uma área de treinamento.

Em setembro de 2020, Straumann líder no segmento de implantes dentais, abriu a terceira fábrica em Curitiba. O investimento de 13 milhões de francos suíços na nova planta possibilitará um aumento significativo na produção de implantes dentais Neodent para exportação, segundo o relatório de 2021 da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO).

A Nestlé, por meio da Nestlé Health Science, subdivisão de saúde e ciência nutricional da empresa, escolheu o Brasil para lançar lançar seu primeiro programa para acelerar startups na área de eHealth. Em janeiro de 2020, depois de uma triagem de mais de 130 projetos inscritos, as startups Mempis e Insight Technologies foram selecionadas para receber até 1 milhão de reais e mentoria para acelerar os seus projetos.

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e a Swiss Innovation Agency (Innosuisse) publicaram uma chamada em fevereiro de 2020 para a seleção de propostas de projetos conjuntos de inovação entre empresas brasileiras e suíças. O objetivo é estimular o engajamento em projetos de cooperação científica e de inovação entre empresas inovadoras e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) de pesquisa da Suíça e do Brasil.

O Grupo ABB Power Grids assinou um contrato de 100 milhões de dólares por cinco anos com a maior empresa de serviços públicos da América do Sul, Interconexion Electrica S.A. E.S.P. (ISA). Atualmente ela opera mais de 62 mil quilômetros de infraestrutura de transmissão de energia, com mais de 7 mil quilômetros em construção. A ISA também atua nos setores de serviços de transporte, informações e telecomunicações.

Em junho de 2020, a Syngenta anunciou a criação do Syngenta Group, grupo que engloba Syngenta AG, ADAMA e a unidade agrícola da Sinochem. A entidade é líder global no mercado de proteção de cultivos, presente em mais de 100 países e está sediada na Suíça.

Em dezembro de 2020, a GF Piping Systems, divisão da Georg Fischer, anunciou a aquisição da FGS Brasil Indústria e Comércio Ltda. Fabricante líder de sistemas de tubulação em polietileno, a FGS abastece o mercado local de distribuição de água e gás além de outros segmentos industriais. Com esta aquisição, a GF Piping Systems terá uma plataforma dedicada para a continuidade de seu crescimento no Brasil e na América do Sul.

Em março de 2021, a multinacional suíça da área química Sika adquiriu a empresa mineira BR Massa, com a intenção de ampliar a gama de produtos oferecidos na região e melhorar a área de atendimento ao cliente.

Com previsão de inauguração para novembro de 2021, a nova fábrica da Aryzta em Pouso Alegre (MG) terá capacidade de produção de até 75 mil pães por hora e estimativa de 300 empregos diretos e mais de mil indiretos. As obras foram iniciadas em abril de 2020 e o investimento aproximado é de R$ 400 milhões.

Além dos investimentos de mais de R$ 900 milhões para automação, modernização e expansão das fábricas da Nestlé no Brasil em 2021, a empresa anunciou investimento de R$ 1 bilhão para nova fábrica da Purina em Santa Catarina, a ser inaugurada em 2023 na primeira fase.

Iniciativas Sociais durante a Pandemia

O Consulado Geral da Suíça em São Paulo doou para o programa da prefeitura de São Paulo 232 cestas básicas, para ajudar as famílias afetadas pela pandemia, que não trouxe só os malefícios sanitários da doença, mas também a insegurança alimentar.

O Consulado Geral da Suíça no Rio de Janeiro fez doações de cestas básicas e kits de higiene pessoal em coordenação com algumas ONGs baseadas nas cidades do Rio de Janeiro e Nova Friburgo.  O objetivo foi ajudar as famílias e pessoas que mais precisam de apoio durante esse período complicado.

A Syngenta se engajou a ajudar no combate da COVID-19, entre abril e junho de 2020, com a entrega de 105 mil equipamentos de proteção individual, mais de 47 mil unidades de álcool e termômetros a laser, direcionados às diversas instituições de saúde pública de 21 municípios brasileiros, e cedeu o equipamento de análise de teste PCR juntamente com 200 placas para análise de PCR em tempo real para o Laboratório Central de Belo Horizonte.

A empresa também fez doações diretas a produtores rurais, doando mais de 20 mil sacas de sementes de milho para oito sindicatos rurais no interior da Bahia, além de 103 mil sementes para o cultivo de abobrinha, couve-flor, tomate, repolho, pimentão e pepino à Hidroceres, que as semearão e direcionarão para o Viveiro Mudas Tamandaré.

No mês de maio, outra campanha foi criada pela Syngenta sob o nome “Dá Match!”, com o objetivo de junto com seus colaboradores cooperar com aportes direcionados às comunidades onde atua. Para cada doação de qualquer gênero feita pelos seus profissionais para instituições de livre escolha, a Syngenta faz um aporte de mesmo valor à instituição escolhida.

A Nestlé se uniu com a Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelha para enviar vacinas a países pobres totalizando um aporte de 6 milhões de francos suíços para acelerar a distribuição perante todo o globo. Outra ação foi realizada em conjunto com o Sesc e outras empresas que resultou em uma doação de mais de 1,6 milhão ao programa Unidos Contra a Covid-19, da Fiocruz, referente a uma usina de produção de oxigênio, que suportará os hospitais públicos do Estado do Amazonas, além da doação de alimentos que beneficiaram mais de 3 mil famílias na região.

Em mais um anúncio da empresa, foram doados 28 toneladas de suplementos alimentares para idosos em lares de permanência no Estado de São Paulo, quantidade que prevê suprir cerca de 21 mil idosos com doses diárias por 2 meses. Em valores de mercado, a doação custou cerca de 4,6 milhões de reais.

Logo no início da pandemia, a Nestlé já havia doado cerca de 500 toneladas de alimentos e bebidas, além de alimento para animais de estimação, por todo o Brasil. E na sequência, uma grande campanha foi realizada com a ONG Gerando Falcões, que atua em favelas no Brasil, para garantir cestas básicas para 30 mil famílias do Brasil. A cada 1 real doado por um de seus colaboradores, a Nestlé daria mais 1 real. A campanha já arrecadou 70 toneladas de alimentos para a entidade.

A Zurich Seguros se mobilizou para ajudar no combate da pandemia e destinou um aporte de 1,5 milhão de reais para um projeto de expansão de 90 leitos de UTIs para os hospitais públicos do município de São Paulo, como os Hospitais Vila Santa Catarina e M’Boi Mirim.

Tendo a prefeitura de Jundiaí como parceira, a empresa suíça Sigvaris realizou a doação de 700 pacotes de máscaras de tecido para serem distribuídas na unidade de oncologia do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo.

O Grupo Novartis, grupo farmacêutico suíço, proveu 5,5 milhões de reais em doses de medicamentos ao Estado do Paraná, ao município de São Paulo e ao governo federal durante a crises sanitária gerada pelo COVID-19. O grupo também destinou 5 milhões à 45 instituições para a compra de cestas básicas e kits de higiene, além de 100 mil máscaras e 50 mil luvas a profissionais de saúde.

Em maio de 2021, os alunos do 3° ano do ensino médio da Escola Suíço-Brasileira de São Paulo se juntaram à ONG Gerando Falcões para arrecadar o máximo de cestas básicas possível para ajudar famílias vulneráveis em favelas do Brasil inteiro. Além disso, os alunos prepararam 80 kits de café da manhã para o projeto “Cuide de quem cuida”, da jornalista gastronômica Mariana Galante, que distribuiu refeições aos profissionais da saúde do hospital INCOR.

Outra iniciativa da escola foi com a Associação Casa dos Curumins, cuja campanha “Curumins do Bem” teve como objetivo combater a fome na população de periferia, com a doação de cestas básicas.

SWISSCAM na Pandemia

A SWISSCAM realizou diversos eventos ao longo de 2020 e em 2021 com o intuito de manter os associados atualizados e apoiá-los no período de pandemia. Entre eles, destacamos:

“COVID-19 e os impactos na economia”, realizado no dia 22 de abril de 2020, com a presença do time de economistas da Pezco. A gravação do debate se encontra disponível na área do associado em nosso site.

“Como serão as viagens de avião após a pandemia do coronavírus?”, realizado no dia 23 de abril de 2020, com Annette Taeuber, Diretora geral para o Brasil na Lufthansa.

“Painel SWISSCAM: como as principais empresas suíças estão se preparando para a retomada econômica?”, realizado no dia 15 de outubro de 2020, com 8 líderes das principais empresas suíças presentes no Brasil, além do Embaixador da Suíça no Brasil Andrea Semadeni e do Helcio Takeda, economista da Pezco.

Com abertura pelo Presidente da SWISSCAM Henrique Philip Schneider, o painel foi iniciado com um breve panorama feito pelo Embaixador a respeito da situação na Suíça, quando era estimada uma retração de 3,8% do PIB, um número positivo uma vez que a expectativa anterior era de 6,2% de queda. Porém, mostrou-se preocupado com a segunda onda na Europa. Agradeceu as empresas que exerceram um papel social chave na luta contra a COVID-19.

Helcio Takeda trouxe dados sobres os diversos setores afetados pela pandemia e estimou uma queda do PIB para 2020 em 4,2%, mas forte recuperação em 2021, com expectativa de alta de mais de 3% do PIB.

Os painelistas contribuíram com seu depoimento sobre os impactos em seus respectivos setores. Estavam presentes os executivos das empresas MSC Mediterranean Shipping Company, Atlas Schindler, Nestlé Brasil, Clariant, Novartis Brasil, Zurich Seguros, Lufthansa Group e Syngenta.

Tecnologias Suíças para pandemia

A Roche, empresa farmacêutica suíça, e a Atea, farmacêutica americana, se uniram para desenvolver e distribuir um antiviral de ação direta oral chamado AT-527, que funciona bloqueando a enzima RNA polimerase necessária para a replicação viral. O medicamento já está ne fase 3 de teste que começou no Q1 de 2021.

A Roche se uniu também com outra farmacêutica americana, a Regeneron, e criaram um coquetel de anticorpos contra a COVID-19, que segundo a Roche elimina em 70% hospitalização e morte pelo vírus. Foi aprovado pela ANVISA para uso emergencial em abril de 2021.

A Suíça assinou um acordo com a Organização Mundial da Saúde em maio de 2021 para sediar no Laboratório bioquímico de Spiez o projeto BioHub, que visa a guardar, analisar e compartilhar informações sobre vírus com potencial de causarem pandemias entre laboratórios do mundo inteiro.

A Novartis e a Molecular Partners iniciaram em maio de 2021 o ensaio clínico EMPATHY, um estudo de Fase 2 e 3, para explorar o uso de seu novo potencial antiviral DARPin® (MP0420) para o tratamento de COVID-19. A Novartis conduzirá o programa de testes clínicos para ensovibep, com a Molecular Partners como patrocinadora dos estudos. Em março de 2021, a Molecular Partners relatou resultados iniciais positivos de Fase 1 em voluntários saudáveis.

Com a necessidade de higienização mais eficaz e regular, a Atlas Schindler (fabricante de elevadores e escadas rolantes) desenvolveu soluções de limpeza e higienização automática com luz ultravioleta para a higienização de corrimãos nas escadas rolantes e renovadores de ar para elevadores.

Oportunidades de negócios

Apesar da crise econômica e política destes últimos anos, o Brasil continua a atrair investidores suíços e de outros países, principalmente porque o país vem mostrando melhoras significativas. O Relatório “Perspectivas do Investimento do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES)”, de julho de 2019, projeta que os investimentos para o quadriênio 2019-2022 alcançarão R$ 1,1 trilhão. Na comparação com o levantamento realizado em julho do ano passado para o período 2018-2021, houve aumento real de 2,7% do total de investimentos.

As projeções são de crescimento na indústria. Já na infraestrutura, a comparação entre o valor em 2018 e a média de 2019 a 2022 mostra cenário de ligeira queda. O que explica, na indústria, o cenário de forte expansão dos investimentos, em grande medida, é o desempenho de petróleo e gás, impulsionado pela recuperação do preço do petróleo e pelos leilões de concessão ou de partilha de blocos exploratórios ocorridos em 2017 e no início de 2018.

Já na infraestrutura, o cenário é de retração nos investimentos em energia elétrica até 2021, com retomada a partir de 2022. Em contraste, a perspectiva é de aumento significativo nos investimentos em logística e saneamento. Os desempenhos nesses dois setores mostram recuperação dos investimentos nas áreas mais carentes de desenvolvimento, sobretudo a partir de 2020.

Há perspectivas crescentes de inserção das ferrovias no transporte de granéis agrícolas de exportação (Ferrovia Norte-Sul e aumento de capacidade da Malha Norte em direção ao Porto de Santos), mas desafios ainda persistem no transporte ferroviário de carga geral, principal demanda brasileira. Em saneamento, chama a atenção o fato de mais da metade do esgoto gerado no país (54%) não ser tratada (dados de 2017).

A Suíça se destaca nos setores de tecnologia da informação e comunicação (TIC), ciências biológicas e indústria de máquinas, elétricas e metalurgia. São inúmeros parques de tecnologia e incubadoras de negócios, cuja maioria se encontra reunida em associações. Com diferentes formatos e alinhamentos, eles se desenvolveram por meio de estreitos vínculos com instituições de ensino superior e, em parte, a partir de iniciativa puramente privada.

Em 2020, a Suíça ocupava o sexto lugar no ranking de Competitividade Digital Mundial produzido pelo IMD (International Institute for Management Development), sediado em Lausanne. O ranking mede a capacidade e a prontidão de 63 países em adaptar e explorar tecnologias digitais, um fator-chave na transformação econômica vivida por empresas, governo e pela sociedade de maneira mais ampla.

Atualmente, a Suíça vem se destacando fortemente na área de fintech. Um estudo do Instituto de Serviços Financeiros Zug IFZ, da Universidade de Lucerna de Ciências Aplicadas e Artes, mostra Zurique e Genebra na segunda e quarta posições, entre as cidades com as melhores condições para o desenvolvimento de negócios na área de fintech em 2020. As excelentes condições combinadas ao agrupamento de empreendedores inovadores, às autoridades proativas e aos principais institutos de pesquisa científica, permitiram o desenvolvimento do “Crypto Valley”, no cantão de Zug. De acordo com o Swiss Venture Capital Report, o financiamento às startups suíças passou da marca dos CHF 2 bilhões novamente em 2020. Embora a área TIC, incluindo fintechs, continue em primeiro lugar nas rodadas de investimentos, houve uma queda em 2020 devido à crise da COVID, enquanto as biotechs tiveram um crescimento expressivo de 31,3% em relação a 2019.

A Suíça e o governo suíço também demonstram grande interesse em tecnologias para a geração e utilização de energia limpa e renovável, favorecendo o Brasil no campo dos biocombustíveis e etanol. Nessa área, as oportunidades residem tanto na venda direta de combustíveis alternativos como também na transferência de tecnologia e parcerias produtivas entre empresas dos dois países.

Investimentos

De acordo com o Relatório de Investimento Direto 2020 do Banco Central do Brasil, a Europa permanece como a região com maior estoque de IDP (Investimento Direto no País) no Brasil em 2019, tendo a Suíça ocupado o 5º lugar entre os principais investidores europeus.

Posição de IDP por países investidores – Investidor imediato – Europa

Fonte: Banco Central do Brasil

Com relação ao reinvestimento de lucros e às remessas de dividendos ao exterior, a Suíça também ocupa posição de destaque:

Lucros reinvestidos e distribuídos (dividendos) – Investidor imediato

Fonte: Banco Central do Brasil

Em seu relatório sobre as relações econômicas entre a Suíça e a América Latina (2021), a Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça (SECO) destaca a crise da COVID-19 que, embora tenha afetado consideravelmente as importações e exportações helvéticas nestes países, não retirou o interesse das empresas suíças na região, conforme anúncios de investimentos já mencionados na seção “Destaques Comerciais”.

O Brasil é o país que mais atrai investimento direto da Suíça na América Latina. Em 2019, o estoque de investimento direto da Suíça totalizou CHF 10,6 bilhões (34.1% de todo o montante na América Latina).

Switzerland – Latin America: Foreign Direct Investment by Main Partners 1993 – 2019 (% of total Swiss FDI stock in Latin America)

Fonte: Switzerland – Latin America Economic Relations Report 2021 – State Secretariat for Economic Affairs (SECO)

Nesta mesma direção, o relatório da SECO também mostra que o Brasil possui o maior número de pessoas trabalhando em empresas suíças na América Latina. Foram 60.926 em 2019, seguido pelo México com 40.204 funcionários.

Empresas suíças no Brasil

Cerca de 350 companhias de origem suíça mantém operações no Brasil. Grandes empresas como ABB, Adecco, Aryzta, Autoneum, Blaser, Barry Callebaut, Bobst, Bühler, Clariant, Credit Suisse, Curaprox, Elevadores Atlas Schindler, Dufry, Ferring, Firmenich, Gate Gourmet, Georg Fischer, Givaudan, Hilti, Huber + Suhner, Liebherr, Lindt, Lonza, MSC, Nestlé, Novartis, Panalpina, Pfiffner, Precious Woods, Richemont, Roche, R&M, Rolex, Sefar, SGS, Sig Combibloc, Sigvaris, Sika, Sonova, Stäubli, Sulzer, Swiss International Air Lines, Swiss Re, Swissport, Syngenta, UBS, Victorinox, Zurich, Zürcher Kantonalbank, entre várias outras têm uma significativa presença no mercado brasileiro, muito utilizado como plataforma de exportação para os demais países da América Latina. Algumas delas estão presentes no Brasil há mais de 100 anos.

Empresas brasileiras na Suíça

Algumas das principais empresas brasileiras que investem na Suíça são: CBMM, Vale, Vicunha, Banco Safra, Weg (através do distribuidor Bibus AG), Itaú Private Bank, Biomecânica, Stefanini, Suzano, EFW Capital Advisors, Welle Laser. O Brasil se faz presente também através de pequenas e microempresas montadas por cidadãos brasileiros. São escritórios de advocacia, agências de viagem, restaurantes, lojas e salões de beleza.

Mapa da Suíça e outros dados

Área (km2): 41.285
População: 8.6 milhões (2019 – Federal Statistical Office)
Idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e romanche (reto-romano)
Capital: Berna
Moeda: Franco suíço – CHF
PIB: CHF 726.921 bilhões (2019 – Federal Statistical Office)
PIB per capita: CHF 84.769 (2019 – Federal Statistical Office)
Exportação total: CHF 225 bilhões (2020 – Federal Customs Administration)
Importação total: CHF 182 bilhões (2020 – Federal Customs Administration)

Embaixada da Suíça no Brasil:
SES Av. das Nações Q. 811, lote 41
70448-900 Brasília – DF
Tel.: +55 61 3443 5500
Embaixador: Sr. Pietro Lazzeri
E-mail: [email protected]
www.eda.admin.ch/brasilia

Mapa do Brasil e outros dados

Área (km2): 8.514.877
População: 211.7 milhões (2020 – IBGE)
Idioma oficial: português
Capital: Brasília
Moeda: Real – BRL – R$
PIB: BRL 7,4 trilhões (2020 – IBGE)
PIB per capita: BRL 35.172 (2020 – IBGE)
Exportação total: USD 209 bilhões (2020 – Comex Stat)
Importação total: USD 158 bilhões (2020 – Comex Stat)

Embaixada do Brasil na Suíça:
Monbijoustrasse 68
CH – 3007 Bern
Tel.: +41 31 371 8515
Embaixador: Sr. Evandro Didonet
E-mail: [email protected]
berna.itamaraty.gov.br

Links úteis

Agência de Promoção de Exportações – APEX Brasil
SBN Quadra 2 – Lote 11, Edifício Apex-Brasil
70040-020 Brasília – DF – Tel.: +55 61 3426 0202
www.apexbrasil.com.br

Brasil Export – Guia de Comércio Exterior e Investimento
www.investexportbrasil.gov.br

Consulado Geral do Brasil em Genebra
45, rue de Lausanne – 1er étage
CH – 1201 Genève
Tel.: +41 22 906 9420
E-mail: [email protected]
genebra.itamaraty.gov.br
Susan Kleebank – Cônsul-Geral

Consulado Geral do Brasil em Zurique
General Consulate of Brazil in Zurich
Stampfenbachstrasse 138
CH – 8006 Zürich
Tel.: +41 44 206 9020
E-mail: [email protected]
zurique.itamaraty.gov.br
José Estanislau do Amaral Souza Neto – Cônsul-Geral

Consulado Geral da Suíça em São Paulo
Avenida Paulista, 1754 – 4° andar
01310-200 São Paulo – SP
Tel.: +55 11 3372 8200
E-mail: [email protected]
www.eda.admin.ch/saopaulo
Urs Brönnimann – Cônsul-Geral

Consulado Geral da Suíça no Rio de Janeiro
Rua Cândido Mendes, 157 – 11° andar
20241-220 Rio de Janeiro – RJ
Tel.: +55 21 3806 2100
E-mail: [email protected]
www.eda.admin.ch/riodejaneiro
Rudolf Wyss – Cônsul-Geral

Câmara de Comércio Latino-Americana na Suíça – Latcam
Kasernenstrasse 11
CH – 8004 Zürich
Tel.: +41 44 240 3300
E-mail: [email protected]
www.latcam.ch

Switzerland Global Enterprise
Stampfenbachstrasse 85
8006 Zürich
Tel.: +41 44 365 5151
www.s-ge.com